"- Mas, por que diabos você fez isso?
- Ora, não me encha a paciência.
- Me diga quem te influenciou a isso?
- Você deve saber muito melhor do que eu, aliás... Você que planejou tudo, não foi? - Eu? Eu sou apenas a sua consciência. E você não pensou em mim quando tomou tal decisão.
- Cale a boca!
- Calarei... Assim que esse sentimento de culpa for corroído pelo sentimento de alívio.
- Sentimento de culpa? Não estou me sentindo culpada.
- Não? E todas essas cartas de desculpas para os familiares dele? Essas fotos antigas dele que você não para de olhar? Essa camiseta velha, que você não para de segurar e derramar milhares de lagrimas em cima? Isso não é culpa?
- Já disse para calar a boca. Deixe-me em paz!
- Responda a minha pergunta e eu irei me retirar.
- Quer saber mesmo?
- Quero me diga.
- Eu pensei que era uma discussão qualquer. Mas, não era.
- Não? Por que não?
- Eu via que tinha algo errado. Ele estava frio demais, e ao mesmo tempo me olhando com dó. Ele sabe que eu odeio que sintam dó de mim. Mas, eu ainda não estava entendendo o porquê do olhar de dó. Quando ele coloca a mão sobre a minha mão e diz “estou amando outra”, as únicas palavras que saíram foram a dos meus olhos – lágrimas que saíam como água pela torneira.
- E o que mais você fez?
- Mais nada.
- Como mais nada? Conte-me tudo de uma vez.
- Você já sabe o que aconteceu, não quero ficar repetindo.
- Eu quero ouvir da sua boca.
- Como a Senhora é chata, hein!
- Vamos... Não enrole!
- Ok. No momento em que eu estava nervosa, eu peguei a faca que estava em cima da pia, e a encravei no peito dele. Bom, era isso que você queria ouvir?
- Quase isso. Você ainda não respondeu... Por que fizeste isso?
- Por amor!
- E quem ama mata?
- Quem ama faz loucuras. E agora eu poderei dizer que ele foi meu “para sempre”.
(Silêncio)"
(Melissa F.)
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